Partiu para o Reino de Deus, o nosso amigo, de fé, irmão, companheiro e camarada, o padre José Maria da Silva (diferente de algumas pessoas se orgulhava de ser Silva), que apelidei de Cardeal do Bituri quando ele assumiu a paróquia de Belo Jardim. A bem da verdade, se tivesse ifluência no Vaticano ele seria mesmo Cardeal. Juro. Por um motivo muito simples: foi um dos raros religiosos que se devotou as causas dos camponeses. Foi or isso mesmo perseguido pelo golpe de 64, inclusive detido. Detalhe: só quem protestou contra essa perseguição foi o saudoso padre Fausto Ferraz em telegrama ao governador Paulo Guerra (está no livro de Luiz Wilson), a maioria das pessoas se omitiu, e os elitistas e fascistas festejaram.É a história. A elite de Pesqueira festejou a perseguição ao padre Zé Maria e à Luizinha Arcoverde.
O padre Zé Maria foi um ser plural: religioso, músico, compositor, entendido em astronomia, abastecimento d'água, agricultura, falava vários idiomas, era culto, jornalista brilhante e, sobretudo, foi um Combatente da Liberdade. Foi com ele que aprendi alguma coisa de jornal. Sempre me incentivou e gostava dos meus textos, criticava alguns, elogiava outros, era alguém que eu ouvia as críticas com atenção porque ele entendia do assunto.
Nunca deixou de se interessar pelos camponeses e nem pelos temas sociais. Nunca fez propaganda de si próprio como é moda na terrinha, nem ambicionava poder e nunca quis ser líder nem santo. Foi um cristão na verdadeira acepção da palavra.
Quando ele adoeceu escrevi neste blog que deviam levá-lo para um centro mais adiantado, quem sabe, São Paulo. Não porque tivesse nada contra o tratamento onde ele foi internado, mas apenas porque acho que num caso desses é bom se procurar um lugar onde a medicina é mais adiantada. Só isso. Eu sei que é caro, mas se se faz sorteios e bingos para outras finalidades menos, digamos, importantes, por que não fazer para levar o padre Zé Maria a São Paulo? Mas não posso deixar de reconhecer que houve preocupação, esforço, cuidados. Mas o homem deve dizer o que pensa. E eu digo, doa a quem doer.
Fica a saudade, do amigo, mestre, cmpanheiro de jornalismo ede lutas. Uma saudade que não se extinguirá, até porque sei que a esta hora o nosso padre Zé Maria está olhando pelo telescópio do céu os acontecientos em Pesqueira e na sua Alagoinha. Valeu, Cardeal do Bituri.
CONTA-GOTAS
Tenho uma curiosidade: se o padre Zé Maria era culto, escreveu tanto nos jornais, era músico, compositor, por que não o convidaram para participar da nossa Academia? Será que acharam que ele não tinha cultura suficiente? Não me façam rir, sou asmático crônico e rir me dá asma.
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A PF baixou em Arcoverde. Outras cidades deverão receber essa visita. Há vários casos cabeludos rolando na justiça. Em Arcoverde mesmo pode haver um bis breve. Digo isso por causa dos inquéritos abertos com base no Relatório da CGU. E Pesqueira também. E haja Lexotan. Tem carinha que não dorme nem tomando soníferos. O medo é que a visita não seja somente para buscar documentos e computadores, mas que obriguem algumas pessoas a usar aquele ornamento chato nos pulsos.
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Fiquei feliz com um telefonema, de alguém que não falava há mais de 10 anos. Essa pessoa me ligou e disse que viu a minha crônica sobre Pesqueira no site do Lima Coelho (o site que já tem quase seis milhões de acessos, o mais importante na área da literatura). Disse que gostou tanto do teor da crônica e ficou extasiado com as ilustrações (as fotos de Pesqueira qo site colocou). E que gostou da minha fotografia vestindo a camisa do Lira da Tarde. Não costumo me envaidecer com nada, mas gostei desse telefonema, a pessoa que telefonou é séria, justa, honesta e não elogia nem os amigos. Fez uma exceção. Vou dar uma de chato: acho que foi justo. Desculpem a falta de modéstia.
PERGUNTA CABULOSA
O que leva alguém a bancar o importante sem ter cultura e nem criatividade? De duas, uma: ou é pretensioso ou falta um parafuso na cachola.
FRASE: "A crônica de William Pôrto é a memória forte escrita no presente. Ele vai se enriquecendo com passar do tempo. É então memória viva do passado, mas com muita força ainda no presente". ( Padre José Maria da Silva na orelha do meu livro Combate Popular )
Escrito por William Pôrto


